Floristel | Edmara | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Entramos no quarto e encontramos o Sr. J. de camisolão e tênis, hummm muito suspeito, será que está tentando fugir? É melhor averiguar… mas não, ele era um funcionário “afastado“ muito difícil de conversar devido a distância, mas aumentando a altura, nada difícil para a nossa pequena Ticondele, conseguimos descobrir que a cirurgia seria na segunda. Hora de comemorar, pela nossa agenda nesse dia estaríamos no centro cirúrgico. Ops, peraí falou o João: “trabalho há anos como auxiliar de cirurgia e nunca vi vocês lá… ahhh mas que andar vcs trabalham? Eu trabalho no 10.“ Claro, por isso, nós trabalhamos no outro. “Ahhh então vocês estão no nono andar? Minha cirurgia vai ser lá.“ Bom, então com certeza nos veremos lá na segunda feira … Confesso que nessa hora ele pensou em usar o tênis para fugir… mas nos despedimos com um até breve, porque nosso novo encontro já estava marcado."
Missão cumprida
Spaquito | Caio | Voluntário da Palhaçaria do Canto
"Quando Spaquito, João do Bolo e Riso entraram no quarto da Sra. M.. Ela estava sentada na poltrona ao lado da cama vazia, com um olhar perdido.
— Oi, dona M.! Podemos entrar?
— Sim, mas o paciente não está, eu não sei onde está o meu marido, o Sr. J.… — disse ela, preocupada.
Os três palhaços trocaram olhares de surpresa e imediatamente acionaram seus instintos investigativos.
— Espera aí… — disse João do Bolo, puxando um bloco de notas imaginário. — Onde estamos agora?
A Sra. M. piscou algumas vezes e hesitou.
— Bem… no hospital, né?
— Certo! Mas QUAL hospital? — insistiu Riso, com as mãos na cintura, como um detetive exigente.
— Ah… acho que… não tenho certeza. — Ela riu um pouco, sem jeito.
— PERIGO! ALERTA! UMA PACIENTE SEM PARADEIRO IDENTIFICADO! — gritou Spaquito, falando em um rádio imaginário.
— Atenção, atenção, precisamos de informações sobre um senhor desaparecido! Senhora, pode nos dar uma descrição?
— Claro! O J. é alto e magro.
Spaquito apertou o botão do rádio e anunciou:
— Atenção! Estamos em busca de um homem BAIXINHO e BARRIGUDO! Repito: BAIXINHO e BARRIGUDO!
A Sra. M. arregalou os olhos e riu.
— Não! Ele é magro!
— Entendido! Um senhor extremamente musculoso, fortão, pronto para uma luta!
— Não! Ele é tranquilo! Muito calmo, quase não fala alto! — tentou explicar ela, rindo mais ainda.
— ATENÇÃO, TODA A EQUIPE! O SR. J. É UM ELEMENTO PERIGOSO! PRECISAMOS DE REFORÇOS! — anunciou Riso no rádio imaginário.
A essa altura, Sra. M. estava gargalhando, esquecendo-se momentaneamente da preocupação. Foi quando uma enfermeira entrou no quarto e disse:
— Sra. M., seu marido está na sala de exames. Daqui a pouco ele volta.
Os palhaços suspiraram de alívio, fingindo enxugar o suor da testa.
— Caso encerrado! Missão cumprida! — Riso comemorou!
— Mais um caso resolvido pela agência de investigação dos palhaços! — completou João do Bolo.
A Sra. M. ainda ria quando os três saíram do quarto."
A simpatia em pessoa
Tortelita Boreal | Larissa | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Na noite atuação, realizamos nosso atendimento na enfermaria do Hospital Brigadeiro. O primeiro quarto atendido estava ocupado por dois pacientes e suas acompanhantes. Um dos pacientes se mostrou bastante reservado e não quis interagir, permanecendo em silêncio durante toda a visita. O segundo paciente, por outro lado, demonstrou algum interesse nas interações, mas seu atendimento foi mais sucinto, já que o paciente mais reservado parecia estar bastante incomodado com a presença da equipe, o que nos levou a ser mais breves para não intensificar o desconforto.
Saímos deste quarto com a sensação de que não seria uma “noite boa”, mas nos dirigimos ao segundo quarto, onde estavam três pacientes, todos acompanhados de seus familiares. Ao entrarmos com a "desculpa" de que estávamos à procura de um bloquinho de Carnaval que tinha ficado esquecido para trás, proposta essa que teve o “sim” no aceite do jogo clown pelos 3 pacientes imediatamente, criando um ambiente descontraído e aberto para que Bavette, Tortelita e Miojolli começassem uma conexão incrível com pacientes e acompanhantes. Até esse momento, Sr C, estava dormindo, havia feito um exame com sedação naquela tarde, mas sua filha que estava de acompanhante logo avisou “Se ele estivesse acordado vcs veriam um show “. Não se passaram 3 minutos e ele acordou. Sr. "C” era, literalmente, a simpatia em pessoa. Ele começou a criar histórias, contar piadas inventadas e, com seu carisma, imediatamente prendeu a atenção de todos no quarto, ele transformou o ambiente, fazendo os palhaços improvisarem e, juntos com os demais acompanhantes e pacientes tentaram descobrir "onde havia escondido a graça". Todos entraram no jogo contagiados pela conversa que seguiu em um perfeito gramelô alemão, árabe e japonês com direto a gatos, cachorros e burros escondidos em um poço em busca de doce de mamão.
O atendimento se transformou em um verdadeiro momento de diversão, com a participação de todos no quarto, e o Sr. "C" se tornou o centro das atenções, com sua habilidade única de fazer todos sorrirem e exatamente como a sua filha tinha comentado.
Encerramos o atendimento naquele quarto deixando o Sr. "C" devidamente receitado com Strapzatos Vermaisus 12h/12h, sempre que o gato achasse necessário para a plena recuperação de seu transplante de nariz."
Cada leito, um universo
Risobelha | Patricia | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Tivemos uma nova experiência hoje: a de visitar o P.S., pois lá foi a festa de aniversário da D., que tentou nos esconder, mas sabemos bem que ela comeu todo o bolo antes da nossa chegada.
Fomos de leito em leito e em cada um, um universo. Enquanto um estava em jejum, o outro tomava café, enquanto um queria falar e contar coisas, o outro sentia dor ou dormia. Dinâmico, caótico, mas nos achamos bem ali! Nos exigia mais atenção, mais cuidado e tivemos vivencias incríveis ali como uma receita exclusiva de purê de batatas, um convite para uma festa de aniversário em data errada e muito muito mais!"
Contamos o segredo da mágica
Pintasol Estrelinha | Solange | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Hoje colocamos o sarrafo lá em cima e foi muito, mas muito bom, o repertório encaixou e tivemos muitos momentos de comicidade, mesmo com a proposta sendo mágicas. E claro, teve acolhimento, pois quem cuida, também precisa de cuidados.
Um ponto alto foi um casal bem novinho, a moça paciente e seu marido acompanhante, foram super generosos e a todo momento participando, foram tão legais que até revelamos um truque de mágica pra eles."
Vocês podem ficar mais um pouco?
Rondelli Pavão | Marcello | Voluntário da Palhaçaria do Canto
"Logo no primeiro quarto, enfrentamos dois concorrentes muito potentes: o celular e a dor. Havia dois pacientes neste primeiro quarto: J., uma paciente com cerca de 7 anos; e A., um paciente próximo de seus 12 anos. Com a J. foi relativamente mais fácil de nos conectarmos e vencer o celular que estava em suas mãos. Com o A., percebemos que era muito difícil ele sorrir, apesar de muitas vezes perceber que ele estava junto com a gente. Ele estava sentindo muita dor mas conseguimos arrancar alguns sorrisos durante nossa atuação. Quando estávamos saindo do quarto por uma forte conexão que criamos com a J., o A. nos pediu: vocês podem ficar mais um pouco? Ali percebemos que, apesar da dor e pensarmos que ele não estava conectado com a gente, ele estava. Nos despedimos após a mãe de A. chegar no quarto e, para nós, foi como um momento mágico vivido logo no primeiro quarto. "
A energia voltou
MariBô-Lo | Ana Maria | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Hoje flagramos um jovem funcionário em plena gazeta. Era só uma paradinha no corredor e foi ele quem disse que não queria voltar para a sala dele. Então era gazeta mesmo, né? Ele disse que estava assim, meio assim assim, meio sem energia. E que precisava também voltar para a academia, mas estava meio assim assim, sem energia. A Kooka ficou muito admirada que, com tanta tomada no hospitalzão, ele estivesse sem energia. Já eu achava que ele devia fabricar energia comendo açaí (além do que
é geladinho e tava calor). Lá se foi um ampla discussão sobre tomadas e pilhas, açaí e ovo de codorna. O rapaz deu umas tantas risadonas, onas mesmo, e foi trotando pra sala dele, trotando mesmo. Parece que a energia voltou!!"
Toda arrepiada
Tsulenta Nada Quente | Drika | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Chegamos hoje e a "chega" nos ofereceu UTI, hospital dia, este pela primeira vez. Decidimos ir ao ambulatório do dia. Atravessamos portais, seguimos a luz, tentamos levar quem estava no caminho (sem sucesso). Fomos abordadas por um ser que tinha nossa foto eternizada em seu aparelho telefônico, disse que estava nos esperando.... (Deve estar até agora) Até tentamos voltar, mas nos perdemos em meio a multidão.... Pensa num mar.... De gente e de caos. Confesso que deu uma secura na boca, uma vontade de fazer o caminho de volta, mas já era tarde. Porque dizem que o destino tem força e ele literalmente nos chamou. Liguei meu modo "pensa rápido e se joga" e fui. E não é que tô aqui pra contar o causo?! Ou o que mais ficou dizendo em mim.
De repente éramos celebridades. As atenções eram para nós (que eu faço com isso agora?)... Sei dizer não... Só sei que foi assim: encontros rápidos e divertidos no emaranhado de gentes todas e tais. Nosso GPS sempre funciona invertido e claro que fomos pra onde não era (ou era?) pra ir. Seguimos a onda humana. Cantamos, dançamos, trocamos e sim (momento bronca) fomos muito abraçadas. [...] Um senhor em pé em uma fila de perú de natal colocou a mão no meu ombro e disse: parabéns, que vocês sejam muito abençoadas por esse milagre! Uma outra senhora (linda) disse que nossa energia deixava ela arrepiada."
Hora de regar a flor
Cacatua Kamaboko | Carlyne | Voluntário da Palhaçaria do Canto
"Ela se estava sozinha no quarto, chorando, com a luz apagada. Quando me aproximei da porta, expressou dor em sua face. Sussurei suavemente: "volto depois". Ela assentiu. Após ter passado por todos os quartos, voltei como havia prometido e tentei uma nova aproximação.
Não havia mais expressão de dor, mas o choro continuava. Conversamos. Ela me pediu desculpas por estar chorando e disse que minha presença era forte e necessária. Eu lhe disse que suas lágrimas também. Tirei da mochila uma flor de plástico e solicitei que a regasse: ela esboçou um sorriso. O primeiro do nosso encontro.
Conversamos mais um pouco e consegui tirar-lhe mais alguns sorrisos em meio ao choro. Eu a agradeci por ter me permitido entrar e deixei a flor em cima da mesa para que ela regasse, quando necessário."
Arte de cuidar e ser cuidado
Maritaca Fusilli | Flávia | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Todas as atuações são importantes, mas algumas ficam gravadas. Hoje tivemos a presença de mais duas integrantes junto ao nosso núcleo. Onde pudemos ensinar e aprender também. A troca é sempre importante.
Compartilhar o que já aprendemos com as nossas atuações para com o próximo é olhar lá atrás e ver o quanto viemos fazendo arte por aí. O quanto crescemos e viemos somando nossos valores e conseguindo repassar isso ao público do hospital.
Hoje, o que me marcou foi quando em um dos quartos entre uma conversa e outra, veio a palavra Cuidado. Do ato de cuidar. De ser cuidado, de se cuidar, de se deixar cuidar. O quão importante se faz esse cuidado em nossas vidas. De receber o cuidado, de doar o cuidado, de enxergar o cuidado. Palavra do dia: cuidado!"
Vontade de fazer mais bons encontros
Tortelita | Larissa | Voluntária da Palhaçaria do Canto
"Uma paciente muçulmana que era uma simpatia em pessoa, nos ensinou palavras e gestos da sua cultura, nos apresentou seu noivo que estava lá longe e naquele momento em que a vídeo chamada era feita, estava em seu segundo trabalho como costureiro. Conversamos com ele em inglês e quando a conexão não permitia, a L. nos ajudava a entender o que foi dito. Ela sorria de verdade, tinha orgulho em falar sobre sua história e nos deu uma aula sobre empatia. Não pudemos nos prolongar muito pois era chegada a hora de uma das suas rezas, nos despedimos e deixamos ela com sua companheira de quarto, M., que há pouco estava fazendo sua reza em japonês. Para fechar esse dia tão cheio de boas surpresas e trocas inesperadas, conhecemos a E., uma senhora do interior de SP que era tão radiante quanto o dia que fez hoje. Cada quarto, uma história boa de se escutar. A cada história, mais vontade de continuar a fazer esses encontros."
Gato Félix
Patolonne | André | Voluntário da Palhaçaria do Canto
"Conhecemos o Sr. O, hospitalizado e na cadeira de rodas, que carrega sua vida em diversas necessaires dentro de uma maleta. Parecia o desenho do Gato Félix: tinha livros, revistas, enfeites diversos, lápis de cor, canetinhas. Ao interagir com a gente já desejou o desejo de fazer parte do trabalho. Muito espirituoso e dono de um vocabulário incrível, percebemos que ao sair do seu quarto ele passou a nos seguir em outros quartos se apresentando como estagiário. Nos despedimos com a promessa de nos encontrarmos no voluntariado."