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  • Um cabelo de fada

    Risobelha | Patricia | Voluntária da Palhaçaria do Canto
    "A criança A. tem cabelos verdes e azuis e quando mencionamos que era um cabelo de fada, sua mãe nos contou que era um cabelo galático, com muitas cores e estrelas em movimento. A., ainda sonolenta, tinha ao seu lado essa mãe forte que mostrava fotos do seu quarto com as luzes de galáxias e estrelas oriundas de uma luminária em formato de astronauta, além das fotos da filha com óculos de sol, vestida toda no capricho, sentada na sua cadeira de rodas. Otimista e sorridente, nos dizia que ela nunca esteve tão bem (...). Seguimos acreditando que tudo e mais um pouco vai ser bom, vai melhorar, vai dar pé. Conhecemos tambem os dois senhores M. e T., amorosos, sorridentes com os poucos dentes que tinham em suas bocas, nos contaram o como a vida passa rápido e que é bom não ter pressa pois tudo é do jeito que é. O sorriso do Sr. M foi como uma foto que vou guardar no meu arquivo da cachola."
  • O leque mais poderoso do mundo

    Patolonne | André | Voluntário da Palhaçaria do Canto
    "No primeiro quarto que entramos estavam 3 mulheres pacientes, cada uma no seu leito, sem acompanhantes e com um pouco de dificuldade para comunicação. Como estava calor, oferecemos uma lufada de vento de nosso leque feito pela dobradura de um metro de obras (aqueles com marcação de metragem e polegadas que dobram várias vezes). Por ser vazado, o leque não fazia nenhum movimento de ar, mas oferecemos uma lufada para cada paciente e todas confirmaram que era ótima. Quando dissemos que o cabelo delas parecia aquelas propagandas de Shampoo, onde as mulheres balançam seus cabelos ao vento, pediram para uma nova passada. As 3 fizeram o movimento com a cabeça como se fossem estrelas da TV, sem nenhum vento envolvido, mas na crença da propostas (que generosas!!). Todas com a estima lá em cima, tirei o Farfalibri do quarto abanando ele pra fora (ele rodopiou pelo quarto a fora) e dei uma outra lufada em mim mesmo, saindo e me despedindo. Deixamos sorrisos, risadas e muita autoestima!"
  • As janelas

    Risobelha | Patricia
    "Entramos num quarto com 2 mulheres gestantes, a J. e a N.. Janela fechada. A J. mais sorridente e a N. sonolenta. Fomos conduzindo o papo, perguntando quem chegou lá primeiro e explicando para a outra que quem chega primeiro é que manda por lá. Mas também que quem está perto da janela manda na janela e quem está do outro lado manda no banheiro. E o papo de quem manda aqui e ali foi ganhando espaço e a N. sonolenta já estava sentada na cama e a J. abriu a janela induzida por nós. Uma delícia esse caminho que a nossa atuação consegue fazer e deixar aquele cantinho um tantinho mais iluminado e falante."
  • Quem quer um pato? Ou pata?

    Paspalito | Paulo Henrique
    "Hoje sentimos que as pessoas precisavam muito da nossa presença e foram gratas por isso tempo todo. Encontramos grupos de muita gente reunida, grupos de família, grupos de seguranças, grupos de enfermeiros. Todos nos chamavam. Mas o caso mais interessante foi o de uma paciente que fomos orientados a visitar no balcão de enfermagem e ela queria nos vender patos! Ela começou a fazer a propaganda dos patos da mãe dela, que está vendendo. Foi uma das coisas mais inesperadas de uma visita. São 9 fêmeas por 50 reais e 2 machos por 70 reais, ou todos por 70 reais. O que não faz sentido porque se comprar todos os machos as fêmeas saem de graça. Eu anotei o telefone se tiverem interesse."
  • A senhora marrenta

    Paspalito | Paulo Henrique | Voluntário da Palhaçaria do Canto
    "Um dos melhores encontros foi de uma senhora que estava acompanhando a filha que estava dormindo. Ela tinha cara de brava, achamos que ela nem ia querer nossa visita mas ela mandaou a gente entrar. Embora ela fosse bem marrenta ela se mostrou ser uma pessoa bem resiliente e positiva e conseguimos arrancar umas boas risadas dela. Essas risadas foram um belo presente para nós."
  • Miudinho da vida

    Miolleta Flor | Liliane
    "Tem uma frase muito famosa no cuidado que diz: 'O sofrimento humano só é intolerável quando ninguém cuida'.
    Envelhecer muitas vezes é solitário e doloroso. O corpo dói, a respiração é difícil. Deglutir se torna uma desafio. Creio que seja por tantos sapos que vamos engolindo. Por isso estar na geriatria é sempre uma caixinha de surpresa. A conexão é feita em pequenas gestos. Um olho que se abre para tentar ver melhor, um balbuciar mais animado e de difícil compreensão. Uma palma... é no miudinho, é na presença. E foi assim com o Sr. J., que estava se alimentando de olhos fechados e abriu os olhos para ver o coloridos que estava acontecendo no quarto. E não fechou mais até nossa saída. E a Sra. N., 98 anos, que sorria a cada fez que falávamos que ela era amada. A cada agradecimento e reverência que dávamos. Foi uma paixão a 1⁰ vista. Na Geriatria , todo o detalhe é celebrado e vivido com a intensidade de uma vida inteira. E se tem algo mais potente que isso, nós desconhecemos. Uma alegria começar o ano reforçando a importância do miudinho da vida e na presença."
  • Palavra do dia: empatia!

    Maritaca Fusilli | Flávia | Voluntária da Palhaçaria do Canto
    "Uma calma no hospital. Onde havia poucos internados. E lá íamos nós pelos corredores descobrir um pouquinho da história de cada um ali. Colher um palavra, um sorriso, um afeto. Várias reflexões sobre o momento do paciente. O quão devemos ter empatia, e respeitar esse momento. Palavra do dia: empatia!"
  • Bons Encontros e Sra. Da Hora

    Tortecas | David | Voluntário da Palhaçaria do Canto
    "Hoje foi um dia novo. Nova casa, dizia que fui transferido de unidade. A escolha de ir para um novo hospital é a de sair do cômodo e vivenciar um novo. O hospital é imenso, me senti tão pequeno dentro daquela imensidão. Porém, os encontros de hoje foram preenchidos por amor. Foram várias histórias de pacientes e acompanhantes envoltos no amor e doação ao próximo. Embora estivéssemos ali para comunicar, grandes encontros aconteceram e nos comunicaram algo de volta também. A história do pão amassado que se transformou em 40 e pouquinhos anos de amor, que gerou 6 filhos, 20 netos e 4 bisnetos; a história da Sra. Da Hora que tem 89 anos e é artista, viaja expondo quadros, o professor de educação física que era atendido por uma de suas alunas, e embora essas grandes figuras estejam dentro de uma instituição que de certa forma gera impotência, eles não se resumem a isso, desejam o amor e que esse se dissipe, que vá aos outros. Desejam amar e sair amando... viva o amor. Viva os bons encontros!"
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