"Eu gosto mesmo é das nossas conexões. São momentos de se abrir para uma nova história, e na medida que vamos conhecendo um pouquinho de cada paciente, vamos nos envolvendo, criando um novo cenário com nossas contações, brincadeiras ou com um bate papo gostoso. É um momento mágico porque em cada quarto / corredor é uma nova história que vai se desenhando. A nossa atuação e a certeza carregada de lembranças, cada olhar, cada sorriso. É sempre muita emoção e gratidão por vivenciar esses momentos."
Quando bolhinhas de sabão e crianças se encontram…
Lais | Voluntária do EnCanta
"Fazer atividades voluntárias é um verdadeiro presente que a vida me deu. Para mim, estar envolvida com o projeto EnCanta é uma daquelas dádivas que enchem o coração de alegria. Há dois anos, mergulho nessa jornada maravilhosa, onde a arte se torna a nossa ferramenta para encontros verdadeiramente especiais. Conheci a ONG há oito anos e, desde então, soube que tinha encontrado um cantinho de conforto no mundo. Os valores e missão do Canto Cidadão ressoaram profundamente comigo, e cada participação em oficinas ou atuações me fazem transbordar. Nesta temporada, eu e o Renato estamos atuando no ICr do Hospital das Clínicas, onde compartilhamos a história encantadora do livro "Pra onde vão as bolhinhas de sabão?" escrito por Felipe Mello. Uma frase especial do livro resume perfeitamente a magia desses momentos: 'Quando bolhinhas de sabão e crianças se encontram, tudo fica mais colorido. Um belo sopro cria bolhinhas de todos os tamanhos, alimentando a fantasia e a alegria na vida dos pequenos'. O Canto Cidadão é meu refúgio, meu lugar de esperança em um mundo melhor."
Inteiras e conectadas
Desirée | Voluntária do EnCanta
"Foi uma tarde de muitas brincadeiras, G. inventou uma brincadeira com leão, caçador e princesa, com gestos e tudo, e esse foi o nosso jokempô diferente para decidir quem iria começar. Todos participaram, inclusive os adolescentes, todos tinham uma estratégia, uma ideia... As brincadeiras esquentaram os corações de todos. O tempo todo fomos envolvidos por olhares, risos, abraços, o que tornou difícil saber quem estava sendo acolhido, nós ou eles. Essa sintonia tão profunda proporcionou que tudo acontecesse com fluidez, todos nós estávamos inteiros e conectados, aproveitando o momento, o mundo era estar ali. Que bom que nos veremos novamente, só por isso foi possível a despedida."
Convite para a festa
Renata | Voluntária do EnCanta e do CantoRia
"Atuar no Instituto da Criança, principalmente no ambulatório, sempre se mostra uma caixinha de surpresas, pois nunca sabemos qual o perfil e idades das crianças que vamos encontrar. Por isso, sempre precisamos ter "coelhos na cartola" para conseguir atender tanto aquelas com algum tipo de restrição motora ou cognitiva, quanto os adolescentes que não gostam muito de interagir. Nesse dia, conhecemos o R.,que apesar de muito grande para os seus 8 anos, tinha algumas restrições de fala, mas se fez entender ao dizer que sua mãe havia autorizado ele nos convidar para sua festa de aniversário. Um fofo!"
Batman e Homem Aranha
Flávia | Voluntária do EnCanta e da Palhaçaria do Canto
"W. era encantador! Quando batemos na porta do quarto pedindo permissão para entrar, ele com muito entusiasmo fez que sim, nos chamando com a mãozinha pois a outra estava ocupada segurando o Batman e o Homem Aranha. Ele nos sinalizou que ele era o Homem Aranha e demonstrava indicando com a mãozinha pra onde sua teia era lançada. Quando anunciamos que íamos contar uma história, sua mãe, deitada grudadinha com ele, nos informou que ele era deficiente auditivo e mesmo que até ali W. tenha firmado conosco a relação mais amorosa, não conseguimos prosseguir. Nos despedimos com um misto da amizade mais pura, com gostinho de quero mais!"
Asas longas
Mariana | Voluntária do EnCanta
"Quando apresentamos este roteiro, as crianças sempre ficam encantadas com a caracterização da colega Lais, que usa um figurino de Arara com tudo o que tem direito, desde plumas azuis, maquiagem e peruca! Ficam empolgadas e tiram muitas fotos com ela ao final da narração da história. Também gostam muito do boneco de Arara que acompanha a atuação. O mais incomum aconteceu ao final do nosso encontro: nós nos despedimos, saímos da escola e estávamos voltando a pé pelo bairro, carregando o boneco de Arara da melhor forma que podíamos. Passamos em frente a uma obra, quando um dos trabalhadores dali, vendo aquela Arara ostentada, logo puxou papo com a gente. Conversamos e ele ficou encantado com a proposta do Canto Cidadão, e mais ainda com o boneco de Arara, e nos perguntou: “qual o nome dela?”. Não tínhamos nenhum, então pedimos para que ele escolhesse um nome e ele prontamente a nomeou: 'É a Asas Longas!'. E agora a Asas Longas tem um nome, e fomos lembradas que não há idade para se encantar com brincadeiras e narração de histórias. E que a arte aproxima pessoas e que os bons encontros podem ocorrer em qualquer lugar. Um dia feliz e um momento feliz!"
Um grande abraço coletivo!
Vanessa | Voluntária do EnCanta e do CantoRia
"Uma das nossas colegas teve um imprevisto e não pôde comparecer. Estávamos a caminho da EMEI Fernão Dias quando uma voluntária de outro núcleo, que atuou em outra EMEI manda uma mensagem dizendo que estava na EMEI Fernão Dias pois ela e o núcleo dela viram que as EMEIs eram próximas e foram até lá para saber como estava indo. Salvaram a gente! Foi uma energia tão linda, um sentimento de gratidão, conexão, amparo e união. Todos pelo mesmo propósito. No final, no momento do abraço de reconciliação entre as personagens de fantoche, as crianças voluntariamente, sem serem chamadas, começaram a vir, uma a uma, participar do abraço. Aí veio a próxima, depois mais uma e quando vimos estávamos em um grande abraço coletivo! E quando todo mundo se soltou desse “grande abraço principal” as crianças continuaram a se abraçar por alguns minutos até que pudéssemos encerrar a apresentação. Foi delicioso demais, foi super espontâneo e cheio de carinho. Momentos que deixam o coração mega quentinho."
Sentimentos visíveis e palpáveis
Desirée | Voluntária do EnCanta
"Na primeira atuação no Saica em 2025, houve uma conexão que criou um vínculo profundo entre todos e tudo fluiu de forma inspiradora. A receptividade e a motivação das crianças possibilitou momentos de interação e criatividade. Todas as atividades foram realizadas em roda, o que foi muito importante para que todos pudessem se olhar e se ouvir. Tivemos o alongamento, em que cada criança propôs um movimento, para dar lugar ao seu protagonismo e valorizar a sua ideia, fortalecendo a identidade de cada um. Na brincadeira, uma adolescente, que no início disse que só ia assistir, não resistiu e entrou na roda; o que me deixou muito feliz, pois ter a participação de um adolescente espontaneamente é gratificante. Fizemos a leitura coletiva do livro "Os Olhos do Jaguar", junto de uma conversa sobre a mensagem da história. Compartilhando as impressões, foram provocadas reações positivas em todos; e isso foi o ápice para que, na atividade de confecção da máscara do jaguar, todos deixassem eclodir seu lado artístico com cores e brilhos. Cada vez mais, acredito que a arte faz desabrochar o que temos de melhor, permitindo que os nossos sentimentos extravasem, tornando-se visíveis e palpáveis, como as lindas máscaras que as crianças fizeram. Viva a arte pela vida!"
Poxa tia, fica mais um pouco
Vanessa | Voluntária do EnCanta
"Já havia tentado expressar de muitas formas essa vontade forte de impactar positivamente a vida das pessoas, porém somente agora sinto que realmente estou no caminho de poder fazer alguma diferença, e não só pelas crianças que entramos em contato [...] Principalmente nos SAICAs pude sentir profundamente o quão especiais e importantes esses encontros são para elas. É de partir o coração ouvir: 'Poxa tia, não vai, fica mais um pouco.' [...] Sinto profunda gratidão por ter encontrado esse grupo de artistas que compartilham dos mesmos propósitos e ideais e se reúnem na maior alegria para juntos se aperfeiçoarem e assim poderem fazer cada vez melhor pela arte e pela vida."